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::. Projectos no Brasil .::

m MISSÃO EM CHAPADINHA

1. Testemunho do Jorge
Quando se pensa no Brasil não é necessariamente a expressão “terra de missão” que nos vem à cabeça. Provavelmente seremos mais levados a relacionar África ou Ásia com missão do que América Latina. Concordo com isso até certo ponto, em questão religiosa, no que diz respeito ao kerygma – primeiro anúncio – talvez a missão no Brasil não seja tão pertinente. Porém, missão é mais do que isso. Para um leigo missionário, aliás, missão tem que ser mais do que um primeiro anúncio. Tem que ser o testemunho vivo de Cristo Ressuscitado, que quer caminhar com o ser humano, lado a lado com o povo, principalmente o mais desfavorecido, empobrecido e explorado.

E é disso precisamente que se trata a missão de um leigo missionário na América Latina, em especial no Nordeste Brasileiro.


Visitando um doente

Os meus dois anos e meio passados em terras nordestinas consistiram numa acção global junto a uma realidade social de 65 mil pessoas que habitam uma das regiões mais periféricas do Estado do Maranhão. O Maranhão, segundo os últimos cálculos da Fundação Getúlio Vargas em 2000, era o Estado brasileiro com maior índice de pobres: 63,5% da população vive abaixo do limiar da pobreza, ou seja, sobrevive com o equivalente a menos de 60 dólares por mês (um pouco menos em euros). E é na má distribuição da riqueza que reside toda a injustiça no Brasil. Por isso o leigo missionário tem que trabalhar reivindicando os direitos fundamentais para o povo, direito à habitação, à saúde, a uma educação decente e, principalmente à terra. A nossa evangelização tem que ser ficar ao lado dos sem terra, sem tecto, sem direitos.

O desafio do leigo missionário no Nordeste Brasileiro é apoiar as lutas do povo, pela Reforma Agrária, pelo trabalho condigno e pela cidadania, mostrando a todos que a globalização do sistema capitalista gera exclusões sociais gritantes e o caminho não pode ser a sociedade neoliberal que nos querem impor. Um outro mundo é possível e esse mundo só vai ser construído pela consciencialização dos cidadãos e pela sua participação social, cultural, política.

Isso pratiquei no Nordeste, vivendo com o povo das comunidades isoladas, nas minhas aulas com os professores sedentos por uma formação que lhes é negada pelo(s) governo(s), nos encontros de pastoral e nas oficinas de teatro onde trabalhei com os jovens ou na rádio com a escolinha de direitos humanos que chegava a muitas centenas de quilómetros de distância.


Contactando com as populações mais desfavorecidas

Os perigos são muitos: a perseguição dos fazendeiros para quem a nossa vida não vale mais do algumas notas e moedas em Reais; a atitude dos políticos que nos olham como perigosos subversivos; a incompreensão de muitos que, conformados, se distanciam com desconfiança...

Deixo o convite de continuar esta missão a quem não tiver medo de caminhar com o povo, quem tiver coragem e quiser ousar por Cristo. E por isso termino com um pensamento do Padre Camilo Torres, sacerdote revolucionário morto na Colômbia na década de 60: “Ser cristão significa arriscar-se totalmente pela verdade sem ter medo de que o caminho possa levar até à cruz”.

Jorge, 2002

2. Aspectos da Missão
No dia 16 de Março de 2000, o Jorge rumou para o Brasil para uma missão de ano e meio na diocese nordestina de Brejo; essa missão foi depois prolongada por mais um ano, até Setembro de 2002. O destino foram as paróquias de Chapadinha, Mata Roma e Anapurus. O Jorge, dos Leigos Boa Nova e por eles enviado, teve também a solidariedade da diocese de Aveiro, que está em processo de geminação com a diocese de Brejo.

A sua presença e acção pastoral desenvolveu-se em três áreas principais:
Na pastoral da Juventude, integrou a coordenação paroquial (que só na cidade de Chapadinha conta com cerca de 10 grupos). Uma pastoral que tem vasto calendário de actividades e compromissos, muitas intervenções na sociedade; dela faz parte um vasto programa de dinamização social e cultural da massa juvenil (Chapadinha, com os seus 65 mil habitantes, deve ter uns 30 mil adolescentes e jovens), o que foi um desafio à criatividade do Jorge e da Coordenação!


Visitando as comunidades residentes no interior do município

A nível da educação, além de um curso de aprofundamento para os professores de língua inglesa, o seu trabalho encaminhou-se sobretudo para acções de formação junto dos professores, visando um debate e uma troca de reflexões para uma escola e um magistério que formem pessoas com conhecimentos, mas também com critérios e valores humanos e solidários.

Coordenar a pastoral de um bairro, permitiu ao Jorge um vasto leque de experiências e de contactos no horizonte mais largo da comunidade humana, diversificada por natureza. Foi uma maneira de se manter ligado à dura realidade da vida do povo, ao trabalho de base, à religiosidade popular, aos costumes e tradições locais, a comungar nas lutas e anseios populares. Por isso, com as Missionárias da Boa Nova, coordenou o trabalho pastoral do bairro do Areal, o maior da cidade de Chapadinha.

Além destas actividades que lhe estavam confiadas de maneira estável e permanente, houve inúmeros outros afazeres: entre tantos outros, a atenção permanente aos direitos humanos; sobre eles, o Jorge tinha um programa semanal na Rádio Mirante.

Nenhum apóstolo, mesmo leigo, sobrevive sem vida espiritual intensa. Além dos tempos individuais de oração e encontro com o Senhor, participou diariamente com a equipa sacerdotal nas oração de Laudes, Vésperas e Eucaristia, precedida do terço em comunidade. Residiu na casa paroquial de Chapadinha, com a equipa sacerdotal e participando nela como verdadeiro membro.

 

OUTROS PROJECTOS JÁ REALIZADOS:
Missão em Mata Roma
Cidadania Activa


 
 
 
 
 
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