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:. Projectos em Moçambique .: m SER JOVEM EM NAMPULA Este projecto foi desenvolvido pelo Casimiro, em Nampula, no Norte de Moçambique, entre Outubro de 2000 e Setembro de 2001. O testemunho Já lá vão uns meses desde que cheguei de uma das melhores experiências da minha vida, senão a melhor. Foi a que mais exigiu de mim, e a que me fez conhecer e crescer para além de todas as minhas expectativas, como homem e como Cristão. Quando falo desta experiência, e já lá vão alguns testemunhos, no final fica sempre um gosto a insosso, porque não se ouviram os tambores, não se pôde sentir o cheiro da terra vermelha depois da chuva, não se viram os "sorrisos eternos" desenhados nos rostos dos Moçambicanos. 1. O envio e a comunidade Fui enviado pelos Leigos Boa Nova (LBN) para Nampula, em Moçambique; participei na Vigília Missionária da Diocese de Lisboa, juntamente com outros missionários que foram para as mais diferentes partes do mundo. A paróquia na qual estou inserido não se alheou da minha missão e, por isso, fui enviado na Igreja Matriz do Montijo, com a presença dos LBN, e de alguns dos movimentos paroquiais e diocesanos nos quais trabalho, com alguns familiares e amigos.
Faz parte da nossa experiência missionária viver em comunidade. Tive a graça de realmente partilhar de uma verdadeira comunidade, não só com quem trabalhei, mas com quem vivi. Foram onze meses a viver e a partilhar de perto os trabalhos de uma casa de sacerdotes, uma comunidade onde fui muito bem acolhido e que me ensinou muito. Ensinou-me o que é a missão, feita de muito sofrimento, de grandes aventuras no meio da guerra, das quais resultaram grandes obras... Uma comunidade que verdadeiramente me acolheu e a quem eu tentei dar o melhor de mim... Foi com eles que partilhei esta missão, a eles o meu obrigado, porque lhes devo tudo o que de melhor experimentei na vida! 2. A missão e as suas tarefas As primeiras duas semanas foram o pior tempo da missão; era o período de reconhecimento, não fiz nada, limitava-me a ver, somente ver, o que me levou a repetir a mesma pergunta que ouvira fazer àqueles que davam testemunho durante a minha formação em Portugal: "mas o que estou eu aqui a fazer?". Até que, finalmente, surgiu o trabalho. A primeira tarefa foi dar catequese a um grupo de crianças que estavam a fazer a preparação para a primeira comunhão. Mais tarde, dei catequese a um grupo para o baptismo, e o último grupo que acompanhei foi para o crisma. O Grupo de Jovens, seu apoio e acompanhamento, foi um trabalho de que gostei bastante. Incentivei sempre a formação, quer a nível pessoal, quer a nível eclesial, apostando na formação dos acólitos e do grupo de leitores da Sé Catedral, que eram membros deste grupo. Foi um trabalho muito gratificante; penso que deu frutos, mas uma das coisas que aprendi em África foi não querer ver todos os resultados imediatamente, pois qualquer plantação demora a crescer.
Uma outra tarefa na qual ajudei foi a formação de catequistas. Primeiro, um grupo de iniciação e, posteriormente, uma formação mais avançada. Foi um trabalho interessante, que me possibilitou um contacto com outras formas de pensar, de ensinar, de ver um mundo que eu só tinha olhado sob a perspectiva Europeia. Na paróquia de S. José, além dessa formação, fizemos uma formação geral sobre a Bíblia. Foi também uma experiência enriquecedora, pois nunca tinha trabalhado activamente com pessoas de "mais idade". Sei que é uma frase feita, mas "não sei quem aprendeu mais, se eles ou eu!". Antes de S. José, o primeiro contacto com os Papás e Mamãs velhos em Moçambique fi-lo na Catedral, que de resto era o meu principal campo de trabalho. Acompanhar o grupo das famílias foi uma grande prova do intercâmbio entre gerações. Não esperava que adultos respeitassem tanto alguém mais novo, e foi um grande ensinamento que me deram... Com as famílias, para além de estar nos encontros do grupo sempre que possível, o meu trabalho foi de novo na área da formação. Fizemos durante alguns meses uma formação de Bíblia e Questões Teológicas, e depois um Curso de Leitores. Muitas vezes ultrapassámos a hora e meia dos encontros, e faziam tantas perguntas que, por vezes, obrigavam-me a um estudo dos temas mais aprofundado. Era admirável o seu empenho!
3. Mais actividades Desde cedo apoiei um grupo de teatro que alguns elementos dos jovens integravam. Ensaiavam no Conselho Municipal de Nampula. O talento dos Moçambicanos para as artes teatrais é notório; limitei-me a dar alguns conselhos, e ensinar algumas técnicas... Outro grupo foi o da paróquia de São José. Este trabalho foi feito a par com as Irmãs Mercedárias, com as quais também trabalhei na formação de jovens e no Congresso de Jovens de Nampula. Um problema que urge resolver na sociedade nampulense é a questão da sida. O Centro Pastoral da Diocese promoveu um projecto cujo objectivo foi formar activistas na luta contra a doença. Este projecto envolveu jovens de 4 paróquias da cidade. Eu colaborei nas oficinas, construção de cartazes, fantoches, material didáctico que pudesse facilitar um pouco a divulgação desta formação. Muito se fez e muito há a fazer, porque é um problema que todos os dias ceifa vidas. Este trabalho possibilitou-me alguns ganhos que, junto com o que recebia da Escola Portuguesa e com parte das ajudas de bolso de Portugal, usei no apoio aos estudos de alguns jovens, na sua maioria deslocados a estudar na cidade, provenientes do Lar para Rapazes da Ilha de Moçambique. Esta ajuda visava acima de tudo a compra de algum material de estudo, alimentos, carvão; a um dos rapazes comprámos uma bicicleta para poder ir para a escola onde trabalhava. 4. Comunidades do interior, Escola Portuguesa, crianças de rua Uma das coisas que muito gostei foi visitar as comunidades do interior. Era realmente bonito ver a alegria com que éramos acolhidos por estas paragens. Comunidades onde o padre muitas vezes só vai uma vez por ano! Por isso são uma festa, estas visitas. Uma missa de algumas horas, onde se reza, se baptiza e se casa. E um elemento deveras importante, a música e a dança! As missas Africanas deixam saudade!
Pessoas muito simples que vivem abaixo do limiar da pobreza, a quem tudo falta, muitas e demasiadas vezes até a comida. Atacadas por doenças como a sida, a malária e a cólera, e um desenrolar de enfermidades que parece não ter fim! Lembro a Missão de Ocúa, onde estão presentes as Missionárias da Boa Nova, onde tão bem acolhido fui e que muito gostei, onde realmente a pobreza esbarra connosco e nos olha de frente. Mas, apesar de tudo, o sorriso de seus rostos mantém-se sempre; afinal, pode faltar tudo, mas não faltem os sorrisos que qualquer um tem para dar! Durante a semana, as manhãs eram ocupadas com a Escola Portuguesa. Dei a disciplina de Desenvolvimento Pessoal e Social, passando depois a dar Geografia. Foi um trabalho muito interessante. A maioria dos alunos eram muçulmanos; eu nunca tinha tido uma aproximação tão grande a esta religião. Apesar do pouco tempo (havia um programa a cumprir), ainda falámos de religião, e eles queriam saber muito acerca dos cristãos. Não é de menor importância a ligação que tive a um projecto muito bonito, liderado pela Juventude Hospitaleira, chamado CHACriMo (Centro Hospitaleiro de Apoio à Criança Moçambicana), um apoio aos meninos de rua. É um trabalho fundamental no desenvolvimento da cidade, e na tentativa de aumentar a qualidade de vida das crianças! Conclusão Muito disse, e tanto fica por dizer. Foram muitas as pessoas que foram tão importantes para mim! Tantos Jovens, Papás e Mamãs, Padres, Irmãos e Irmãs. Obrigado a todos! Obrigado aos LBN e à Sociedade Missionária da Boa Nova. Obrigado à minha família e amigos, que estiveram sempre comigo, (obrigado para uma amiga muito especial), foram incansáveis nas encomendas e cartas! Fui para esta missão convosco! Bem hajam! Casimiro - Fevereiro de 2002 OUTROS PROJECTOS EM MOÇAMBIQUE: A DECORRER: JÁ REALIZADOS: . |
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@lbn2006
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