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::. Artigos .::
VIVER
EM PEMBA!
por Sérgio Cabral e Fernando Silva
Como cristãos sabemos bem do nosso dever em anunciar a boa notícia da salvação a todos os que ainda não a conhecem ou a vivem. Será pela alegria do encontro que corremos até ao outro para lhe dizer: “Vi o Senhor”, como o fez Maria de Magdala no Evangelho segundo S. João. Por isso, partir para contextos culturais por vezes inóspitos não deverá suscitar tanta preocupação ou admiração para quem se diz cristão ou cristã, porque também aí reside pessoas que ainda não viram o Senhor, e há que mostrá-lo através da nossa vida e do que somos. Compete-nos isso!...
Compete-nos traduzir em vida e em obra o bem, que é universal assim como o amor, tendo em conta a cultura da gente local, a sua concepção e modo de vida. Teremos sempre que escutar, aprender, ter o coração aberto para conseguirmos sentar à mesma mesa e comungarmos o mesmo pão, pão de esperança.
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Viver em Pemba é o que realmente importa quando se está em Pemba. Porque pode-se estar em Pemba e não se viver em Pemba. Implica uma abertura de coração e de tudo o que somos para que tenhamos a capacidade de receber o tudo que Pemba é. E darmo-nos, entregarmo-nos a quem tem o coração livre para nos receber e acolher também.
Um grupo de voluntários dos Leigos Boa Nova partiu para Pemba no início deste ano para continuar o trabalho desenvolvido pelo grupo anterior naquela cidade, mas acima de tudo para viver de facto em Pemba. São professores no Colégio D. Bosco; colaboram nas escolinhas espalhadas pelos diversos bairros da cidade e demais projectos de acção social da Paróquia Maria Auxiliadora; estão integrados nas comunidades cristãs da circunscrição paroquial onde dão catequese, formação bíblica e onde participam na liturgia da palavra dominical. A acção desenvolve-se, portanto, em dois pilares essenciais de presença missionária: por um lado a pastoral, por outro a educação. Se a acção pastoral contribui para a consolidação e amadurecimento de uma comunidade cristã, o trabalho na educação contribui para o desenvolvimento das capacidades locais de trabalho e para um maior esclarecimento e melhor futuro da sociedade moçambicana.
Este grupo vai continuar no próximo ano a trabalhar nos mesmos campos, mas acima de tudo, vai continuar a viver em Pemba reflectindo a esperança do Deus do Amor e o sorriso da alma negra em cada alvorada, em cada dia que passa de actividade.
A CIDADE DE PEMBA
A cidade de Pemba, desprovida de actividade industrial, tem no comércio e serviços a principal fonte de emprego da população local. O turismo, não estando num estado de evolução demasiado avançado, apresenta-se como uma indústria em franco crescimento, fruto de alguns investimentos recentes e alguns ainda em fase de projecto. A propriedade de tais empreendimentos, desligada totalmente de moçambicanos, é detida por Árabes e Ocidentais, deixando nesta indústria aos nativos, espaço directamente como funcionários e indirectamente na venda directa aos turistas, nomeadamente de artesanato. Assim sendo, o florescimento de tal indústria, sempre conotado com aspectos positivos, trazendo algumas vantagens, traz também algumas desvantagens. O incremento da procura de alguns produtos, a causa deste turismo, e a sua consequente e natural subida de preços, afasta-os das possibilidades dos locais. Além deste afastamento de determinados produtos é notório também o quão longe está o acesso a alguns serviços relacionados com o turismo, onde se encontra frequentemente uma clientela ocidental ou árabe.
Quando saímos da área do turismo, e nos debruçamos no comércio propriamente dito, deparamo-nos novamente com um sector dominado por estrangeiros, mas desta vez com predominância indiana. Com as lojas na forma em que as conhecemos, no ocidente, dominada por estrangeiros, os locais, neste sector, têm uma forte presença no comércio de mercado, e na persuasiva venda directa, sempre aberta a negociação, e com o turista ocidental, como alvo primário, por ser conotado como mais capaz financeiramente para consumar do acto comercial.
A segurança de edifícios, nomeadamente edifícios afectos à actividade comercial, é outra fonte de emprego significativa, pois é normal ver-se “em cada porta” dois os três guardas, contratados directamente ou através de empresas de segurança, que aqui têm terreno fértil para florescer na sua actividade.
Estes assalariados, com um salário mínimo de 1200 000,00 meticais (uns cêntimos menos do que 42 €) estão obrigados a compor o seu cabaz de compras de forma diferente daquela que os europeus estão acostumados, porque os produtos oriundos da importação mantêm níveis de preços proibitivos.
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